Monday, August 25, 2014

DE ALBERTO RIOGRANDE, um livro de contos,
A Mulher Vestida de Sol, 2014

No Prefácio de Rui Machado é feito um apontamento cuidadoso sobre a escolha geral dos temas (personagens) e a sua circunstância, real ou ficcionada.
A estruturação da narrativa, transversal a um tempo ora presente ora passado, recuperado para que o decurso irregular, por vezes feliz a mais das vezes doloroso,  possa avançar é para mim a qualidade maior desta obra.
A estrutura é liberta, e liberta igualmente o leitor, que pode escolher demorar-se a reflectir nesta ou naquela situação oferecida. Estamos perante um conjunto de contos em que se chama a atenção para aspectos diria, sem ofensa, menos modernos, mas muito actuais e fora da onda dos sucessos de vendas que nos consomem, a nós que gostamos de ler com lentidão e sossego.
Há coincidências curiosas, e nesta mesma semana encontrei nas livrarias o livro póstumo de António Tabucchi, dedicado a uma Isabel que o narrador busca de capítulo em capítulo, alguém de um outro seu tempo, e que nos é trazido pela mão da Maria José Lancastre, erudita pessoana, sua companheira de sempre, na obra e nas traduções que em conjunto fizeram.
Ah, que saudade e que prazer, esta minha agora leitura lenta...Também no livro de Tabucchi, em estrutura mandálica, é a estrutura que me atrai e me faz, a momentos, ponderar:
O escritor, da caneta na mão, suspende o gesto, aguarda, até que sinta que pode seguir em frente. Tranquilo, segue. Nuns será círculo a círculo, noutros côr a côr, noutros ainda hexagrama a hexagrama, ou como no jovem que descobri recentemente, Leonardo Chioda, carta de Tarot a carta de Tarot..
Em todos a escrita é iniciação - e se não é, melhor seria não escreverem!
Em Rio Grande, para além de referências culturais próprias da sua formação e que me agradam, mas não reside nisso a qualidade da prosa, encontro o gosto do detalhe, a minúcia do olhar atento ao meio que o rodeia, a situação inicial, a paisagem, os corpos que se encontram, desejam, desencontram ou voltam a encontrar-se, fundindo-se, como diz num desses contos.
Cada vida na via que foi dada.
Por qualquer razão que não vou aprofundar, foi assim , assim direi, recuei a Coimbra, aos meus tempos de jovem estudante, em que lia Fernando Namora, amigo do meu pai, médico e escritor. A sua prosa era feita da vida que se vivia. E a outra obra de prosa igualmente directa, expurgada de inutilidades, a de Miguel Torga, também ele médico e amigo do meu pai.
Eu lia também autores muito diferentes: Jacques Prévert, Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa (Ricardo Reis).
Habituei-me à variedade.
Hoje em dia a liberdade, na variedade, é total: da maior objectividade ao maior sentimentalismo, tudo é permitido, desde que em prosa escorreita.
Não farei aqui citações, pois o importante é chamar a atenção para a existência (resistência) do livro. Reparo que se em Tabucchi o desejo de contar e encantar é feito de expressa recusa, pois claramente diz, "não direi", em Riogrande a intenção é outra: é dizer, "expressamente dizer" talvez mesmo explicitamente dizer, a razão ou sentimento do que move os seus intervenientes. 
Outros tempos, este nosso em que ser explícito é quase necessidade, como se se tivesse perdido o que só no mistério se intui...e a cada momento o autor tenha de fazer como o velho Proust e procurar algures na sua escrita o seu Tempo Perdido.
Em cada conto de A Mulher Vestida de Sol poderá o leitor encontrar o seu espaço, mais urbano, ou mais poético e romântico, a variedade é aqui uma das qualidades da Obra.
Certamente outras se seguirão...





Saturday, July 26, 2014


Leonardo Chioda
Tempestardes, 2014

Este é um mês de tempestades e de descobertas.
O que me faz dizer que nunca é tarde - como em Tempestardes - para esperar por um bom livro, que nos apeteça e nos desperte uma vez mais e sempre para o enorme gozo da leitura.
O autor, Leonardo Chioda, é jovem e muito conhecedor da literatura portuguesa contemporânea, Herberto Helder destacado de longe, numa aprendizagem do desmanchar e do fundir imagens e palavras que renovam e fazem voar o verso.
Mas há outros poetas da nossa modernidade, passando por aqui, como Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner, Gabriela Llansol, Ana Luísa Amaral, Teresa Horta que abre em epígrafe o início, da "víscera da musa", com o seu belo verso:
Vem tempestade
vem luz
de alumiar o destino
...
Belo começo, que alumia o livro à nossa frente.
Antecedido por um prefácio que elucida o caminho, os estudos, as viagens por paisagens reais e literárias, da autoria de Ana Maria Domingues de Oliveira, Professora da UNESP, onde ensina literatura, vemos mais uma vez como é importante a relação que se pode (deve) estabelecer ente quem ensina, amando o que ensina, e quem aprende, pois aprender é o início de todos os inícios e será o fim de todos os fins que se consigam.
Leonardo Chioda faz parte desta geração a que já aludi, com Andrei Sen-Senkov e Sveta Dorosheva: jovens, viajados, lidos, cultos acima da média, e tendo por isso uma capacidade de criação original, diversa e muito diferente do que se descobre nas estantes das livrarias. O seu Verbo é atrevido, constrói e desconstrói, suga imagens em verdadeiras cartas de destino, ou segue indiferente por trilhos que outros abandonaram: perigosos por vezes, carregados de sombras e de  mitos, sabendo no entanto que os mitos são o que são, projecções que só cada um saberá entender. O poeta é e será sempre, mesmo ao comunicar o seu verso, um Ente solitário.
Andrei, que é médico, exerce a sua profissão numa Rússia problemática, alarga o verso ao espaço da comunidade e às feridas que cose. Encontrei-o no Facebook, que parece, neste mês de Julho, o espaço dos encontros para mim mais felizes.
Foi também por aqui que nos encontrámos, Leonardo e eu,via Facebook,  por muito que não se goste: porque o FB, se proporciona inusitados encontros, também revela frequentemente a vacuidade das horas e do tempo (leia-se das cabeças !).
Mas neste caso o encontro, bafejado pelas estrelas ? Foi o melhor que me podia suceder. Eu ia reler Machado de Assis, Dom Casmurro, essa obra-prima, um clássico dos clássicos, pensando que não teria, nas férias, autores que me agradassem.
E eis que finalmente chega, pelo correio, o volume das Tempestardes...
Amo a poesia e amo todos os poetas que escrevem, como se fosse respiração natural, a sua poesia.
Porque no poema se desvendam almas e destinos - o destino poético é de todos os caminhos o maior...e as almas precisam dele.
Rosne Carneiro, poeta, alumia as palavras iniciais, que deseja iniciáticas. E Ana Maria, que já referi, enquadra o bom caminho.

Entrando pelas palavras dentro, e sabendo-se que Leonardo é tarólogo, fui visitar o seu blog Café -Tarot, e estudou literatura, e entre outros  que cita vemos um G.Bachelard,  a par de uma peça de Versace - e outros exemplos do género, concluímos que o olhar deste poeta é abrangente, que tudo o que rodeia é ou pode ser momento ou fonte de inspiração: Andrei cose feridas, Leonardo entretece destinos, do Verbo ou das mais humildes palavras.
Porque nele veremos que tudo é Um, como se diz na hermética Tábua de Esmeralda que certamente leu, ainda que em partes.
Na mágica fortaleza da Alhambra, a que se refere (p.23) não evoca o último Abencerragem, seu destino, mas segue e aligeira:
(o destino 
é uma menina

ou um monstro
ao dobrar da esquina)

destino caminha feito tigre
... 
Para concluir que o destino é poesia.
O seu vocabulário alimenta-se de todos os vocábulos, das ciências literárias às ciências naturais, à botânica,  ou pura e simplesmente brinca porque o som lhe pede que o faça, alargando o sentido:
vai pelos confins do texto
no sentido litoral da palavra
(p.33)

Somatórios de acaso (mas serão apenas de acaso, ou imagens recuperadas do fixo acordar do sonho, ou da carta tirada?):
contorna o atalho da palavra
de índole harpa
na rota clepsidra
semelhante ao regresso espelho

desvela o símbolo,
...
a anulação dos verbos, dos adjectivos, deixando flutuar a palavra, a harpa, a clepsidra, o espelho - no espaço azul do símbolo - remete para segredos mais íntimos. Terá de ser o leitor a decifrar.
Ou medita, ou repete, ou deixa de parte até novo momento, e aí, como no Éden antigo, descobrirá " os frutos assombrosos".
Podíamos seguir os títulos: Sísifo, por ex.(p.35).
Abre com um "infinito" e segue por um encadeado de rimas internas, todas em i, que apanham o leitor desprevenido, pois de tal alusão ao mito de um Sísifo de cruel castigo se esperaria, quem sabe algum sabor mais trágico...pois não, e habituem-se...o poeta despe os seus mitos, como despe as suas palavras, os seus versos, até ao acaso, ocaso da linguagem!
Estamos perante uma obra em que se
desconfigura
a órbita dos mandalas
a palavra é vertical...
(p.110)
E o verso pode ser ainda mais, ser animal, como quando nos lança em desafio a utilização do verbo "panterar".
Caeiro gostava de pastorear o seu rebanho, o seu rebanho eram as suas ideias; ideia de árvore, mais do que o sentimento do que esta ou aquela árvore despertasse nele. Já Leonardo Chioda anda a "panterar", com os seus versos, todos os seus sentimentos, todas as suas sensações, de cada momento.
Não abstrai, concretiza, funde, devora...é outra modernidade a sua...
Termino, não sem antes sugerir que se leia, já no fim, SOBRE A ESPERA (Llansol revisitada), na página 130.
Não cabe aludir a tudo, num post. Mas cabe uma alusão, que alimentará estas e outras ilusões de que a poesia pode ainda salvar o nosso mundo.







Friday, July 11, 2014




Crianças entre Ruínas

Há um muro 
que as separa.

Com sede
quem lhes levará
a água?

Com fome
quem lhes levará
o pão?

Com sono
quem poderá
num enxergão desfeito
dar o último beijo, 
o último aconchego?

Perguntam
querem saber:

Quem 
lhes devolverá 
a vida
ainda tão pequena
e tão cheia de medo?

(Julho 2014)

Thursday, July 03, 2014





A criança de Gaza

O que faz
a criança de Gaza:

a criança de Gaza
corre na rua
foge de casa
a casa
foi destruída

Onde brinca 
a criança de Gaza

a criança de Gaza
brinca na cave escura
escondida
atrás das pedras

Como vive
a criança de Gaza

a criança 
vive com medo
o medo é 
o seu companheiro

e uma ou outra vez
ajoelha-se 
e reza
a um deus
que já não é
inteiro

(Julho, 2014)


Wednesday, July 02, 2014



Sophia

Ia e vinha
e a cada coisa perguntava
que nome tinha
(Coral)
Foi assim que em Coimbra me encontrei com a sua obra.
Mais tarde, na Praia da Granja,  a praia e o mar bravo das férias, antes da sedução do Algarve, na Praia da Donana pude conhecê-la pela mão de amigos, como Eugénia Aurora e outros.
Depois foi a Revolução, um jantar íntimo em sua casa; estavam o Eduardo Lourenço, recém chegado a Portugal,  Manuel Alegre, o Eng. Cravinho, político em ascensão.
Informal, parte da noite foi de encontro de amigos, mais do que de reflexão política.
Hoje Sophia é levada com honras de Estado para o Panteão.
Não precisa.
O que nos ficaria bem, a todos nós, que a lemos e amámos, é continuar a lê-la: nas escolas, em casa, no mundo, por toda a parte.
Quantas obras suas estarão traduzidas, para que a limpidez do seu verso, da sua prosa, sejam conhecidos?
Noite fabulosa de jazz com Benny Golson, no Hot Club de Portugal.
Entre outras histórias de vida que inspiraram os temas, Benny gostou de falar de Along came Betty, seu primeiro e juvenil amor, para depois não esquecer mais Bobby, a mulher que partilha a sua vida há mais de 50 anos!
Mas vale a pena ver e ouvir tudo : música de rara emoção a par de vidas vividas , a dele e a dos outros grandes com quem dividiu inspiração, carreira, sucessos...

Saturday, June 21, 2014

Escrever para a juventude


Ainda os Contos de Quatro Cantos do Mundo:

Sempre fui de opinião que a boa literatura é para todos, de todas as idades. E que se deve, podendo, ler tudo, desde a banda desenhada de Mandrake o mágico aventuroso, ao Poirot de Agatha Christie, ou, mais científico, um Júlio Verne. Em tempo haverá tempo e oportunidade, se ficou desenvolvido o gosto de ler, para ler James Joyce, Clarice Lispector, Virginia Woolf, ou, escolhendo poesia António Gedeão, Pessoa ou Herberto Helder.
Assim, não acho que seja impositivo,  à partida, que o propósito de um escritor seja, num conto para a infância ou para a juventude, o de simplificar a sua escrita. Pode sem dúvida escrever de modo mais directo e acessível (será útil para todos, pequenos e grandes) mas isso já é definição de boa escrita, e não de escrita "simplificada", no sentido de empobrecida.
No caso destes contos de Cristina Carvalho, o que me interessou  foi ver como, à medida que a narrativa se organizava, ia surgindo de modo adequado uma "lição" do texto: informação e formação.
Assim, na aventura do pólo norte,Vidas brancas, ao mesmo tempo que acompanhamos o dia a dia de uma família de esquimós, na descrição de um avô (que chegou ao termo dos seus dias) de seus filhos e do netinho em quem se concentra mais a história, o pequeno Jal, sentiremos (a par do deslumbramento da paisagem, dos rituais quotidianos ) como é importante o laço que une uma comunidade permitindo que se organize e sobreviva, e, no caso de Jal, no encontro com a foca-bébé e a cria de raposa, como é importante a empatia com aquilo a que chamarei de "vida animal", que devemos amar e preservar. 
Houve neste conto informação genuína e formação de "lição" como já nas tabuínhas antigas da Suméria, na epopeia de Gilgamesh o contador sentia a necessidade de fazer.
Contar é acrescentar ou sublinhar algo que se tornou importante, para nós e para os outros. Um conto, como Marie-Louise von Franz nos ensinou é uma forma de iniciação.
Já na aventura do deserto, A noite é o lugar mais tranquilo do mundo, a descrição da paisagem se torna mais detalhada, mais visionária, o narrador é um "eu" solitário cujo olhar reflecte como num espelho cada pormenor à sua volta - escorpiões e cobras deslizando na areia, oásis que se adivinham verdes e frescos, contrastes de vidas e formas: " assistimos ao morrer da luz do dia num apocalipse de fogos e sentimos o ruído da água, muito perto e muito longe. É que, caminhando no deserto, nunca se sabe se a origem da vida está muito perto ou se está muito longe. Os sons são indistintos. As sombras inexistentes. O vazio, total."
Se no conto anterior a estrutura é, a seu modo, desarticulada, para dar voz ao diálogo de Jal com a raposa amiga (evoquemos um pouco o Petit Prince, de Saint-Exupéry...) aqui são as cartas do deserto que desempenham o mesmo papel. Formas de recuperar a atenção, embalada pela prosa escorreita, de um leitor distraído. Nestas cartas surge o quotidiano, como o narrador nos diz, mas também a recuperação de memórias antigas,  recuando a gerações e gerações de idênticos caminhantes, de nomadismo fundador. Um eu que se funde num todo de evocações que só o silêncio permite. Deste silêncio e de uma noite sem igual se falará na quarta carta, a última, onde o dizer se esgota e a plenitude da comunhão com a música do universo é concedida: "Sim, a noite é o local mais tranquilo do mundo". 
Três crianças dão forma à aventura na floresta amazónica de Casa verde, o terceiro conto. A par da descrição, do detalhe, das rotinas a cargo das mulheres, aos homens incumbem outras, surge a magia secreta que só o feiticeiro guarda, como guardião que é do passado, do presente e do futuro. Descrito o lugar, os lugares, é na mão dele que se guarda o tempo que reina sobre todos os seres.
Viajando sob o azul intenso das águas , é o último conto. 
Se o que anotei aqui para os leitores despertou, como espero, interesse pelo livro, não ficarão desiludidos com a história de um golfinho-roaz avistado ao largo e conduzindo a narração para outros céus - há muitos céus - recorda a narradora/narrador, mas sobretudo para o fundo do mar, onde não se avista o céu mas o abismo, sempre o abismo, em sucessivas camadas sobrepostas, que permitem igualmente sonhar. O sonho é de um encontro, mas fico por aqui, está na hora de acordar...
Boa leitura!


Friday, June 20, 2014

Cristina Carvalho, Quatro Cantos do Mundo
ed. Planeta, 2014

Este recente livro de Cristina Carvalho, pelo título e em especial pelos Viajantes que evoca, em dedicatória, Roald Amundsen, o caminhante dos Pólos, David Livingston, o do deserto do Kalahari (e a célebre frase recuperada em filmes célebres: Dr. Livingstone I suppose? ), David Attenborough que me acompanhou a mim e já também à infância dos meus filhos, e ainda, last but not least, Jacques-Yves Cousteau, da exploração submarina, que o seu filho agora continua - dizia eu que este livro de Cristina, mal o abri, me remeteu para a minha própria infância/adolescência, no Porto, com o meu pai a dar-me a ler os livros de Rómulo de Carvalho, enquanto no colégio líamos Júlio Dinis. Com o meu pai foi sempre de História ( a grande) e a Ciência, e ao mesmo tempo os livros de banda desenhada daquele tempo, que se compravam nos quiosques: o Superhomem, a família Marvel, etc. Leituras de café para me entreter e ele poder falar à vontade com os amigos.
O que quero dizer? Que o ambiente de família, o pai com quem se fala, ou a mãe, mas este pai de Cristina era o Professor- cientista (mais tarde conheci toda a sua poesia, afinal era ainda poeta, com nome de António Gedeão) nesta família o que se viu, o que se leu, rasgou horizontes e paixões que perduram.
Neste caso, a aventura e a escrita. Da viagem da escrita, pelas palavras dentro...
Uma escrita de rigor, sobre a qual se pode fantasiar, criar e recriar mundos, que por serem mágicos mas verosímeis ( no bom sentido da definição de Aristóteles) se transformam em fonte de saber e de prazer.
Leio e cada página me empurra para a outra...São quatro histórias, cada qual no seu espaço/tempo peculiar, que Manuel San-Payo ilustrou.
À medida que leio penso que este seria um livro a incluir nas colecções do Secundário, de leitura obrigatória.
Dou o exemplo e para as minhas 5 netas mais crescidas já comprei para leitura de Verão. (Pôr apenas likes nos FB não ajuda a que se leia o livro, comprar é preciso, divulgar, em casa, à mesa, à noite gozando o ar livre também.
Ocorre-me que a qualidade de um autor, como neste caso de Cristina, se nota no cuidado (que é generoso, pois podia despachar o assunto como tantos outros fazem, sem se preocupar com o rigor da palavra) com que trabalhou em cada momento a fantasia própria do lugar pelo qual faz e dá a fazer a viagem. 
É o toque dos grandes que fundaram o realismo fantástico, como em Cem Anos de Solidão, ou Como Água para Chocolate!
Preenchem-nos a vida, nesse momento único da leitura.
E neste caso ainda, o remeter para Viajantes que a ela a fizeram viajar, como nos conta no Prefácio - sabendo que com o seu livro outra juventude, curiosa, viajará também. 
Eis-me de repente feliz e rejuvenescida, e ainda  não cheguei às profundezas do mar - esse mar de onde proveio a Vida, de que tantas vezes desmerecemos... 
Obrigado Cristina!